Produtos ergométricos

Tempos atrás um conhecido meu,representante comercial, precisou trocar a antena do rádio do carro. Viajava muito por cidades vizinhas e nas estradas não dispensava a boa companhia das programações locais.

Na loja preferiu por um modelo de antena com adaptação interna, pois a anterior, externa, foi quebrada por algum vândalo. Foi-lhe oferecida uma que se apresentava como eletrônica. Perfeito. Antena Eletrônica, garantia de boa sintonia e o preço bem em conta, uma pechincha. Foi o que ele pensou e o que milhares de pessoas pensam.

Resultado depois da instalação, claro, nem na garagem da sua casa conseguia sintonizar as rádios habituais. É como se não houvesse antena nenhuma.
Mas não tinha o tal sistema eletrônico? Sim, ele existia. Um circuito com dois componentes para acender um pequeno LED (emissor de luz) vermelhinho quando ligava o rádio. Nada mais.

Já viu uma dessa? Já comprou uma dessa?

Resumindo: o que ele comprou como antena interna eletrônica era na verdade um acessório de péssima ou nenhuma qualidade tecnológica para o fim a que se destinava – mas que acendia uma luzinha. E vermelha.
Marketing enganoso.

Há, sim, bons produtos nomercado, antenas internas com amplificadores e tal, mas é outro valor,fabricante conceituado, etc. Isso é um exemplo do que acontece em vários setores, com muitos tipos de produtos.
Quando se trata de ergonomia o quadro não é diferente.

Utilizam-se da estratégica palavra “ergonômico” para incrementar a descrição de um produto que sequer foi testado ou que teve algum parecer técnico para assim ser classificado. Isso sem contar algumas engenhocas pandemônicas que vira e mexe aparecem no mercado como sendo a solução ergonômica genial para todo biótipo. Muitos produtos não tem nada de ergonômicos – pelo contrário - seu uso pode trazer até mais malefícios aos consumidores.

Um exemplo são as cadeiras com regulagem de altura que podem não ser exatamente um móvel ergonômico – é preciso levar em consideração o apoio às costas, material usado, formato einclinação do assento, etc. São vários os fatores.

Produtos ergonômicos devem tersua qualidade atestada e comprovada por avaliações técnicas de empresas ou profissionais capacitados.

Notebook


Invenções “ergonômicas” para notebooks são as mais clássicas no momento. Sobre isso vale a pena repetir a conclusão do médico especialista em dor muscular, Norman J. Marcus, em artigo publicado no The Wall Street Journal: “ Os notebooks não oferecem qualquer ergonomia, a não ser que você tenha meio metro de altura”.

Esses equipamentos móveis não foram desenvolvidos para trabalhos prolongados. Agora, se a compra já foi feita e o uso contínuo é inevitável, lembre-se que o ideal é usar a tela na alturados olhos. Se você usar um suporte para isso, terá de usar também um teclado e mouse conectados ao notebook para não forçar braços, punhos e ombros. Ou cancele a ideia do teclado e mouse e use um monitor extra regulado para a altura ideal.

Aí você deve estar pensando “mas assim eu transformo meu note em um PC?!”. É isso aí.

Por mais cômodo que possa parecer – e realmente é – a portabilidade pode trazer camuflada consigo problemas clássicos e graves de articulação e postura. O uso rotineiro desses equipamentos por longos períodos representa uma ameaça à saúde. Vale a pena ressaltar que as lesões provocadas por esforços repetitivos não aparecem de uma hora para outra.

Vamos fazer uma comparação:quando utilizamos uma máquina para realizar uma tarefa com uma carga para a qual ela não foi projetada ou não está ajustada haverá certamente um desgaste maior e consequente danos a algumas partes. No ser humano o comprometimento não é apenas físico, mas também emocional e psicológico. Mas sobre isso vamos tratar em outro artigo.
Como deve ser um produto ergonômico?

Ele deve ter características que tornem as atividades mais leves e confortáveis, adequando postura e movimentos aos equipamentos e móveis utilizados de forma a garantir o melhor rendimento e resguardar a saúde física e mental.

Relembrando:
  • Posição correta para teclar:pulsos devem ficar em posição neutra ao digitar.
  • Evitar apoiar cotovelos sobre a mesa. Braços devem estar no mesmo nível do cotovelo.
  • Cadeiras com suporte regulável para as costas.
  • Os pés devem estar apoiados no chão ou deve ser utilizado um apoio regulável.
  • Monitor na altura correta.
  • Iluminação adequada.
  • Finalizando, mais algumas dicas para quem trabalha especialmente com textos:
  • Use e abuse de atalhos.
  • Configure fontes no tamanho adequado (maiores, que não forcem a visão) para a preparação do trabalho. Depois de pronto você volta para o padrão, se for o caso.
  • Teclado não é piano e você não é um pianista ensandecido tocando um ritmo frenético para uma plateia desvairada, ou seja, não BATA no teclado – apenas tecle.

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